- Estava te ligando agora. Parabéns meu amor! A noite iremos comemorar em grande estilo, iremos num restaurante que você irá gostar.
- Ulisses, pare e me ouça. Precisamos conversar, você pode passar em casa por volta das 19h? Estarei te esperando.
- Você está séria, aconteceu alguma coisa?
- A noite conversamos, tenha um bom dia Ulisses.
(...)
O que teria acontecido, ela parecia tensa. Não gostava quando ela ficava assim. E essas horas que não passam!
Quando ela ver o presente que preparei, ela vai ficar feliz. Deve estar preocupada com alguma problema do escritório.
Vou terminar esses relatórios, e ocupar minha mente será melhor.
(...)
Às 19h, Ulisses estava na porta do edifício de Cátia, flores em uma das mãos e a CAIXA na outra. Ansioso, aguardando o porteiro abrir o portão.
O elevador nunca pareceu demorar tanto para chegar ao 21º.andar.
O elevador nunca pareceu demorar tanto para chegar ao 21º.andar.
- Olá Ulisses, entre por favor.
- Cátia, você está tensa, o que houve? Fale logo, você sabe que não gosto de mistérios.
- Vamos sentar, precisamos ter uma conversa, temos que falar de nós!
- De nós? Como assim?
- Ulisses, pensei em mil maneiras de lhe dizer isso, sem ferir seus sentimentos, vendo-o com estes presentes em mãos me sinto ainda pior, mas melhor ir direto ao ponto do que fazer rodeios. Não dá mais, há tempos estamos nos enganando, não existe mais amor entre nós, e é melhor terminarmos aqui, enquanto resta-nos um pouco de respeito mútuo. Você não é mais o mesmo, nós não conseguimos mais rir de bobeiras, a simplicidade de nossas vidas se tornaram mais obrigações do que prazer, e não é essa vida que quero pra mim. Espero que entenda, tenho um carinho grande por você, mas não dá mais. E não irei comemorar meu aniversário com você, sinto muito. Combinei de sair com as meninas, para uma noite só nossa. Preciso disso há tempos, e você com seu ciúmes incontrolável não me permitiu ser eu mesma.
Cátia continuou, após uma longa e profunda respiração:
- Desculpe a forma, e a maneira objetiva, mas já venho há meses ensaiando e sempre postergando, hoje é um dia meu, e acordei angustiada, não tá certo. Quero-o o bem, mas cada um seguindo sua vida.
- Se você estava insatisfeita com nosso relacionamento, por que nunca me disse? Por que esperou chegar nesse ponto?
- Ulisses, Ulisses... como nunca demonstrei que não estava feliz? Não quero discutir, minha decisão está tomada e não voltarei atrás.
- Fique tranquila, Cátia. Aceite pelos menos as flores...
- Obrigada se isso lhe fará se sentir melhor. Aceito. Já estou atrasada, se você não se importar preciso me arrumar.
- Claro, já estou indo... – Ulisses, saiu pensativo e com a caixa em mãos.
(...)
- E foi assim, Doutora. Depois deste dia não nos falamos mais.
- Ulisses, por que você decidiu não entregar a caixa à ela? Você contou-me tudo, mas não entendi por que a trouxe com você.
- Ulisses, por que você decidiu não entregar a caixa à ela? Você contou-me tudo, mas não entendi por que a trouxe com você.
- Pelo simples fato, de que de nada mais adiantaria todo o zelo e carinho. As decisões já estavam tomadas por ela. E naquele momento este gesto com o qual eu queria demonstrar meu amor por ela, estaria banalizado. Quem sabe num outro momento de nossas vidas, eu ainda tenha a oportunidade de entrega-la, pois como vê, passaram-se 6 meses e eu ainda não consegui desfazer o embrulho. E não é presenteando uma outra pessoa, que me sentirei melhor. Essa Caixa é o símbolo da dedicação do tempo que tive ao lado dela, dos meus erros e acertos, e dos caminhos que a vida toma. É o que me faz querer superar tudo isso, de forma madura, compreendendo que tudo nesta vida tem um por que, e não cabe a mim questionar os desígnios da vida. Cabe a mim respeitá-los.
- Você se ouviu agora Ulisses? Viu como as respostas que vem buscando, você tem consigo mesmo? Não adianta querer mudar os rumos da vida do outro, você é responsável por você, e nestes meses todos, você tem sim se portado bem, é respeitando as decisões da Cátia, que você está fazendo bem a si mesmo.
- Sim, você tem toda razão.
(...)
Ainda por muito tempo Ulisses pensou em Cátia, e no quanto ele achava que poderiam ter sido felizes, com o tempo ele enxergou que em nossa vida nada é por acaso, até onde sei ele guarda a CAIXA consigo até hoje, fechada da mesma maneira que há 5 anos atrás, mas com um significado diferente. Naquela CAIXA está toda uma vida de dedicação e aprendizado, e tudo de melhor que ele enxerga que pode doar pra aquele relacionamento.
Hoje está casado, acaba de ser pai do seu primeiro filho, e encontra-se muito feliz... Larissa apareceu, e conseguiu mostrar à ele que a verdadeira felicidade reside em nós, e que no outro poderemos encontrar a felicidade complementar, não mais que isso.
As consultas, hoje são feitas apenas uma vez por mês, e são mais um bate papo descontraído, pois o principal objetivo ele alcançou. O Amor por si próprio!
FIM.
Até outro post.
Beijos
Mel.


2 comentários:
Ei Lindinha!
Que texto gostoso de ler, muito boa sacada fazer o texto com a visao das 3 partes envolvidas.
A CAIXA acaba remetendo muito a bagagem que carregamos conosco por toda a vida, a cada relacionamento seja de amizade, namoro ou familiar. As coisas boas e ruins, o aprendizado.
Escreva mais, gostei da sua abordagem em forma de conto! Mas não deixe de escrever suas opiniões, são otimos textos também!
Um grande abraço
Ricardo
Obrigada Ricardo!
Que bom que gostou.
Abs
Mel.
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